Quarta bandeira amarela consecutiva da ANEEL acende alerta para a gestão financeira de condomínios
Com cobrança adicional de R$ 1,885 a cada 100 kWh mantida para agosto, especialistas alertam para a urgência da eficiência energética e risco de avanço para bandeiras vermelhas no segundo semestre.
Na última sexta-feira, 31 de julho, a Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL), anunciou que manterá a bandeira amarela para o mês de agosto, mantendo a taxa de R$ 1,885 a cada 100 quilowatt-hora (kWh) consumido. Este é o quarto mês consecutivo em que a bandeira amarela é selecionada. Para o setor condominial, no qual a energia elétrica figura como uma das três maiores despesas ordinárias das áreas comuns, a persistência da sobretaxa impõe um teste contínuo à saúde financeira das administrações prediais.
A decisão da agência reguladora é fundamentada nas condições hidrológicas desfavoráveis do período seco, que reduzem os níveis dos reservatórios das usinas hidrelétricas e exigem o acionamento de usinas termelétricas. Além de mais caras, estas usinas também possuem alto índice de emissão de gás carbônico.
Em condomínios residenciais e comerciais, a demanda por energia é rígida e ininterrupta: elevadores, bombas de recalque de água, sistemas de segurança, iluminação de garagens e pontos de recarga veicular operam continuamente, fazendo com que o acumulado das bandeiras tarifárias corroa as margens do orçamento aprovado em assembleia.
O risco da inércia no segundo semestre
Para Fernando Berteli, CEO da NewSun Energy, a sequência de tarifas sobretaxadas deve ser interpretada pelas administrações como um aviso: "A manutenção da bandeira amarela é um sintoma do estresse hídrico que pode marcar o segundo semestre no Brasil". De acordo com ele, o cenário eleva o risco de acionamento das bandeiras vermelhas (Patamares 1 e 2), cujos adicionais podem chegar a R$ 7,877 por 100 kWh consumidos.
"Para o síndico essa cobrança contínua consome a reserva de emergência e compromete a capacidade de investimento do condomínio. Se a gestão se limitar a absorver o impacto da bandeira amarela sem tomar medidas preventivas, o eventual acionamento de uma bandeira vermelha nos próximos meses forçará a aprovação de rateios extraordinários, gerando desgaste direto com os condôminos", completa Berteli.
O avanço do período seco, somado aos reajustes anuais das distribuidoras que já superam a inflação oficial, resulta em um mercado de gestão condominial que exige dos gestores inteligência operacional, postura proativa e preparo para dias ruins.
O que são as bandeiras da ANEEL
O sistema de bandeiras tarifárias, em vigor desde 2015, foi criado para refletir as variações no custo real de geração de energia no país. Quando as condições de geração se deterioram, especialmente em períodos de estiagem e calor intenso, a energia passa a incorporar acréscimos que impactam diretamente o orçamento mensal.
As bandeiras funcionam da seguinte forma:
• Verde: sem acréscimos;
• Amarela: adicional de R$ 1,88 a cada 100 kWh consumidos;
• Vermelha – patamar 1: adicional de R$ 4,46 a cada 100 kWh;
• Vermelha – patamar 2: adicional de R$ 7,87 a cada 100 kWh.
Em momentos excepcionais, como ocorreu entre 2021 e 2022, a escassez hídrica levou à adoção de cobranças ainda mais severas, evidenciando o impacto que fatores climáticos podem ter sobre o custo da energia.
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