Nova jornada de trabalho exigirá revisão de escalas e poderá elevar custos dos condomínios, aponta CNS
Estudo estima aumento de até 8,6% nas despesas com mão de obra e destaca desafios para condomínios com equipes pequenas.
Síndicos, administradoras e gestores de condomínios residenciais e comerciais terão de rever a organização das equipes de trabalho para atender às mudanças previstas na Emenda Constitucional nº 141. De acordo com estudo da Confederação Nacional de Serviços (CNS), a implantação da escala 5x2 e a redução gradual da jornada semanal para 40 horas afetarão diretamente entre 381,4 mil e 420,5 mil empregados do setor.
A primeira etapa da transição, conforme o cronograma adotado pela CNS, começa em 16 de dezembro de 2026, com jornada máxima de 42 horas semanais. A partir de 16 de dezembro de 2027, o limite será de 40 horas.
A mudança exigirá atenção especial às atividades que precisam de cobertura contínua, principalmente portarias e serviços de manutenção, limpeza e conservação.
O que muda na gestão dos condomínios?
A principal dificuldade será reorganizar a cobertura dos postos de trabalho diante da redução da jornada e da ampliação do descanso semanal.
O estudo da CNS considera duas alternativas para manter o mesmo volume de horas de serviço: contratar mais funcionários ou compensar a redução com horas extras.
Na hipótese de contratação, o levantamento estima que seriam necessários 19.835 profissionais adicionais na primeira fase e 39.897 quando a jornada chegar a 40 horas.
O impacto simulado sobre as despesas com mão de obra seria de 3,6% na primeira etapa e 6,9% na segunda.
Se a adaptação ocorrer exclusivamente por meio de horas extras, os aumentos estimados serão de 4,4% e 8,6%, respectivamente. Esses percentuais não significam que a taxa condominial aumentará na mesma proporção. O impacto sobre cada condomínio dependerá do peso da folha de pagamento em seu orçamento e das soluções adotadas para reorganizar os serviços.
Pequenos condomínios exigem planejamento específico.
Segundo a CNS, mais de 62% dos estabelecimentos analisados têm menos de nove funcionários, e 26,2% possuem até quatro. Essa característica pode dificultar a contratação de um novo empregado apenas para cobrir folgas ou completar a escala de determinados postos.
O estudo aponta como possibilidades a contratação de folguistas, a utilização de jornadas inferiores a 40 horas, o pagamento de horas extras e a reorganização de tarefas.
A entidade ressalta que a disponibilidade de profissionais treinados também será um desafio.
Medidas que merecem avaliação dos gestores.
Diante da mudança, a análise da CNS recomenda atenção à reorganização do trabalho e à busca de maior produtividade.
Para o planejamento dos condomínios, isso significa avaliar a escala atual, identificar postos que precisam de cobertura contínua, calcular a necessidade de horas adicionais e comparar o custo das diferentes alternativas de contratação. Também será importante verificar os instrumentos de negociação coletiva aplicáveis e considerar, quando adequadas, soluções tecnológicas que possam contribuir para a eficiência dos serviços.
A CNS aponta a possibilidade de expansão das portarias remotas e dos sistemas automatizados em médio e longo prazos, mas não estima o alcance dessa transformação.
Um setor com mais de meio milhão de trabalhadores
Em 2025, os condomínios prediais brasileiros empregavam 553.306 trabalhadores, distribuídos por 131.101 estabelecimentos, segundo a base analisada. A maior concentração de empregos está no Sudeste, especialmente em São Paulo e no Rio de Janeiro.
Para a CNS, a nova jornada representa uma mudança relevante nas relações de trabalho e exigirá planejamento para conciliar os benefícios do descanso semanal com a continuidade dos serviços e a sustentabilidade financeira dos condomínios.
Fonte: Impactos da Emenda Constitucional nº 141 no mercado de trabalho dos condomínios prediais, Confederação Nacional de Serviços, outubro de 2026. (estudo disponível)




















