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17/09/2026

Condomínios ainda esbarram em barreiras de acessibilidade para idosos e pessoas com deficiência

Condomínios ainda esbarram em barreiras de acessibilidade para idosos e pessoas com deficiência

*Por Ana Paula Franco

Rampas inadequadas, portas estreitas, falta de corrimãos, desníveis e obstáculos nas áreas comuns ainda fazem parte da realidade de muitos condomínios brasileiros. Barreiras que podem passar despercebidas por parte dos moradores são suficientes para limitar a autonomia de idosos e pessoas com deficiência dentro do próprio local onde vivem.

O tema ganha relevância diante do perfil da população do nosso país. O Brasil tinha 14,4 milhões de pessoas com deficiência em 2022, o equivalente a 7,3% da população com dois anos ou mais, segundo o Censo Demográfico do IBGE. Ao mesmo tempo, o envelhecimento dos brasileiros aumenta a necessidade de edifícios preparados para moradores com diferentes níveis de mobilidade.

A pergunta que os condomínios precisam fazer, portanto, não é apenas se possuem uma rampa de acesso, mas se um morador consegue sair da calçada, entrar no prédio e chegar às áreas comuns com autonomia e segurança.

Segundo o arquiteto e urbanista Eduardo Ronchetti de Castro, especialista em acessibilidade arquitetônica e urbanística, uma edificação acessível precisa considerar todo esse percurso. Calçadas, entradas, corredores, elevadores, balcões de atendimento, sanitários e estacionamentos fazem parte de uma rota que não pode ser interrompida por barreiras.


Essa visão também amplia uma associação ainda muito comum entre acessibilidade e cadeira de rodas. Pessoas com deficiência visual ou auditiva, idosos e moradores com mobilidade reduzida possuem necessidades diferentes. Sinalização visual e tátil, piso tátil e recursos que facilitem orientação e circulação também precisam entrar nessa discussão.

Nos edifícios antigos, o desafio tende a ser maior. Muitos foram projetados antes que a acessibilidade ganhasse o espaço que ocupa atualmente nas normas e no debate urbano, o que pode tornar algumas intervenções mais complexas, mas não deveria servir de justificativa para que as barreiras sejam simplesmente mantidas.

Nem sempre o primeiro passo exige uma grande reforma. Mapear os trajetos utilizados pelos moradores, identificar obstáculos, revisar a sinalização e avaliar quais intervenções são prioritárias já permite ao condomínio começar a construir um plano de adequação.

O tema estará entre os debates do SindExpo São Paulo 2026, nos dias 18 e 19 de setembro, com a participação de Eduardo Ronchetti de Castro. Levar essa discussão para o evento também significa provocar uma mudança na maneira como administramos os condomínios.

A acessibilidade não deve entrar na pauta apenas quando chega uma reclamação ou quando um morador passa a precisar de uma adaptação. Com uma população em envelhecimento ativo, preparar os edifícios para diferentes necessidades deixou de ser uma questão voltada a poucos. É uma discussão sobre como as pessoas poderão continuar vivendo com autonomia nos lugares que escolheram para morar.

*Ana Paula Franco é especialista em gestão condominial e CEO da SindExpo 2026, evento de capacitação para síndicos, zeladores e administradoras de condomínios, que acontece nos dias 18 e 19 de setembro, em São Paulo. Link para inscrições gratuitas


Tags: sindexpo; eduardo ronchetti; acessibilidade; edificacao acessivel; rampa de acesso


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